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Texto autobiográfico publicado no catálogo da exposição intitulada «Carlos Amado, Desenhos Metafísicos», na Galeria Leo, em Lisboa, em 1984:

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«Nasci a l de Novembro de  1936.

Aos 23 anos, serviço militar cumprido, matriculei-me, em Lisboa, no curso de escultura que viria a prosseguir e terminar em 1964, na Escola de Belas Artes do Porto.

À minha actividade artística durante esses 5 anos caracterizou-se pelo trabalho escolar, exposições colectivas, alguns prémios, e uma exposição individual de desenho, a primeira, na galeria de exposições da Cooperativa de Actividades Artísticas — ÁRVORE, que ajudara a fundar.

De volta a Lisboa, trabalhei em regime de atelier com Mestre Lagoa Henriques e Professor Escultor Joaquim Correia, ao tempo Director da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. É a convite deste que em 1967, chegado de Itália onde uma bolsa de estudos do Instituto de Alta Cultura me levara por um ano, me integrei como docente na Escola. A princípio como assistente e depois como professor agregado.

O curso de Conservador de Museus que fiz no Museu N. de Arte Antiga, sob a superior orientação da Dr.ª Maria José Mendonça, permitiu-me após a reestruturação dos Cursos, depois do 25 de Abril, instaurar nos Cursos de Artes Plásticas e Design, a disciplina de museologia leccionar entre 1980/83 no curso de Restaura­dores, no Instituto José de Figueiredo; e trabalhar como designer de museografia no Museu de Etnologia do Ultramar, integrando a equipa que levantou a Exposi­ção de Arte Africana.

Para lá da actividade docente, o meu trabalho no âmbito das artes visuais caracterizou-se pela diversidade: escultura, medalhística, ilustração e cenografia (1972 — Casa da Comédia, «Mulher Precisa-se» de Almada Negreiros, encenação de Fer­nanda Lapa; 1983 — Teatro N. D. Maria II, «Casa de Bernarda Alba» de Garcia Lorca, encenação de Mário João Feliciano.

No dia 14 de Julho de 1972, um incêndio destruiu o meu atelier, todos os meus haveres e todo o trabalho artístico que até aí produzira

Cerca de um ano depois, no novo atelier, voltei ao labor artístico que me é mais caro: o desenho.

É o produto do trabalho gráfico destes últimos dez anos, que agora constitui a minha segunda exposição individual» Carlos Amado, 1984.